No
sétimo dia do recém-nascido 2011, o site UOL publicou uma matéria
instigante: Esqueça a amizade colorida; vêm aí os "casados por um dia" Trata-se de uma nova modalidade de
relacionamento, cada vez mais frequente, em que ele, ou ela, se
desloca para a casa do outro no final de semana, onde viverão,
durante aqueles dias, como se casados fossem. Claro, sem o estresse
do cotidiano. Ou seja, não há irritabilidade de um porque o outro
largou a toalha molhada em cima da cama, porque daqui a pouco o um
vai embora e, bem, como o tempo a dois é restrito, não vale a pena
discutir.
Fiquei
pensando na explicação para tais relacionamentos. Segundo uma das
psicólogas citadas na matéria, Neiva Luci, a tendência é que mais
e mais casais passem a viver assim – cada um na sua casa, juntos
aos finais de semana, solteiros durante os afazeres do dia a dia,
casados nos momentos de descanso, lazer, curtição, paz. Segundo a
especialista, “Quanto mais presos às regras e ao controle
social, ao repetir para não causar conflito, mais temos frustração
com a pessoa que somos e com as relações que queremos - sem
realmente querer. Aí repetimos, nos frustramos, sofremos... Para
muitos, é uma dependência emocional em que se vive como prisioneiro
de um círculo vicioso”. Enfim, parece uma boa fórmula
para se estar junto sem perder a individualidade que o casamento
subtrai, não?
Correto.
Não fosse por um detalhe: a relação vivida periodicamente, e não
continuamente, tende a se diluir nos momentos difíceis. Refiro-me
àquelas ocasiões em que sentimos necessidade real de dividirmos um
momento difícil, ou um momento de extrema felicidade, com a pessoa
que mais nos importa, ou com alguém com quem dividimos mesmo um
tempo da vida (isso inclui também o tempo dos "apenas"
finais de semana). Uma consulta médica delicada, quando pode ser
diagnosticada uma doença grave, por exemplo. Os momentos de luto,
quando perdemos pessoas importantes e queridas. Um motivo de
comemoração, como o êxito de um projeto, aquela promoção no
serviço.
Penso
que, num momento assim, é muito mais fácil "dar
de cara" com alguém que
sirva de companhia e queira dividir emoções, e que esteja
disposto(a) a compartilhar, comparecer efetivamente - não importa se
isso implica num "gasto"
de tempo -, caso a pessoa com quem se vive esse "casamento
de um dia" estiver vivendo
sua semana de solteirice. Direto ao assunto: é numa hora dessas que
floresce rapidinho uma vontade danada de se sentir acompanhado,
amparado, "casado" mesmo.
Nasce então aquilo que o outro possa chamar de traição.
Será? Aliás, existe "cônjuge
por um dia" que seja
corno? Ou o chifre só existe na cabeça de quem vive junto
diariamente? Taí uma boa dúvida que deixarei para um próximo post.
Não
tenho qualquer receio em dizer que, essa tal moda do "casamento
por um dia", é coisa
inventada por gente insegura e acomodada, que quer sexo seguro,
fácil, garantido e barato, sem qualquer responsabilidade futura com
a outra parte. Qual é? Por favor, arrumem outro nome pra isso, mas
não metam o casamento no meio. Casamento é algo bem maior, que
pressupõe uma vontade grande de que não só a vida a dois dê
certo, mas também que a vida do outro seja um sucesso. Casar existe
para juntar duas vontades em prol de objetivos comuns.
Minha
formação acadêmica e profissional não me permite divagar sobre o
casamento com os olhos vendados pelo romantismo e glamour que, à
primeira vista, o nome oferece. Casamento nada mais é do que um
contrato celebrado mediante a vontade mútua de duas pessoas. E
pronto. O xis da questão não está propriamente no sentimento que
leva essas pessoas a se unirem com a intenção de viverem juntas,
não. O problema está naquilo que cada casal se dispõe ou se propõe
a aceitar, a fazer, a renunciar um em razão do outro e ambos em prol
da vida em comum.
É
preciso deixar claro que, como todo contrato, o casamento traz
deveres e direitos. É importante se conversar tudo, tudinho mesmo,
antes que a vida em comum comece de forma efetiva, quer seja pelo
casamento convencional, quer seja pela coabitação informal. Não
entendo por que casais apaixonados, prontos para celebrarem o
matrimônio, resistem em conversar sobre detalhes que, acumulados,
podem ser o fracasso da vida futura! A tampa do vaso sanitário
erguida, os sapatos deixados espalhados pelo chão do quarto, a porta
da geladeira mal fechada, o gasto excessivo com roupa e maquiagem, a
mania do outro de dormir com aquelas meias horrorosas e por aí
vai... Qual é o problema de se falar sobre tudo isso antes que tudo
isso se transforme no fio da meada para uma separação?
É
por isso que eu defendo a ideia de que contratar um advogado para o
antes pode ser muito barato do que no depois. Explico dizendo sempre
aos meus amigos, colegas, conhecidos, clientes: chamem o advogado
para o casamento, para não precisar dele na hora do divórcio.
Calma! Não se trata de uma sentença fria da minha parte, de que
todo casamento termina em separação, não. O que quero dizer é que
um pacto antenupcial bem redigido pode evitar futuras discussões.
Para quem não sabe, o pacto antenupcial nada mais é do que uma manifestação de vontade dos nubentes, materializada por meio de escritura pública, na qual os pombinhos estabelecem qual será o Regime de Bens do casal, além de outras disposições acordadas entre os nubentes. Nada impede que sejam estabelecidos, por exemplo, modelos de conduta do casal, no convívio a dois, de forma que torne a convivência o mais harmoniosa possível. Os acordos bem feitos antes do sim, indicam que, em casos de separação, o processo é bem menos traumático, sem aquela coisa de um jogar a culpa no outro, e muito mais baratos também (é que o preço do advogado, na hora do divórcio, na maioria das vezes é estipulado sobre uma porcentagem do valor dos bens do casal – coisa que não existe antes do casório, é óbvio.).
Para quem não sabe, o pacto antenupcial nada mais é do que uma manifestação de vontade dos nubentes, materializada por meio de escritura pública, na qual os pombinhos estabelecem qual será o Regime de Bens do casal, além de outras disposições acordadas entre os nubentes. Nada impede que sejam estabelecidos, por exemplo, modelos de conduta do casal, no convívio a dois, de forma que torne a convivência o mais harmoniosa possível. Os acordos bem feitos antes do sim, indicam que, em casos de separação, o processo é bem menos traumático, sem aquela coisa de um jogar a culpa no outro, e muito mais baratos também (é que o preço do advogado, na hora do divórcio, na maioria das vezes é estipulado sobre uma porcentagem do valor dos bens do casal – coisa que não existe antes do casório, é óbvio.).
Enfim,
os "casados
por um dia"
que me perdoem, mas, para mim, relacionamento desse tipo é
eufemismo da frase:
"não tenho
competência para assumir qualquer compromisso, gosto de você mas
também curto transar com outros(as) de vez em quando".
É preciso incutir na cabeça dos mais jovens, e, se possível, na
cabeça dos não tão jovens assim, que assumir responsabilidades –
e aqui eu incluo a responsabilidade pelo que se sente por outra
pessoa - faz parte da evolução natural da vida, faz parte do
crescimento de cada um.

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